Por um Resgate da Feminilidade

Neste texto, vamos falar deste ser único e incrível da Criação: a mulher. Ela que inspira os poetas e os artistas; ela que é tema das mais belas canções e dos mais idílicos poemas; ela que possui o impressionante poder de conciliar, de unir, de apaziguar, de dar alento, mesmo perante o caos. Sim, podemos afirmar por essas e por outras razões que é um privilégio ser mulher.

Contudo, uma obra de engenharia social, engendrada em parte pelo feminismo radical, em parte pela eclosão da ideologia de gênero, tenta a todo custo suprimir as diferenças entre homens e mulheres, amputando uns e outras de suas identidades, de modo que observamos que os homens ficam cada dia mais efeminados e tíbios, ao passo que as mulheres vão se tornando cada vez mais masculinizadas. Note-se que não me refiro aqui à orientação sexual do homem ou da mulher; não se trata de homossexualidade, mas de uma perda de referenciais masculinos e femininos – que, em última análise, pode contribuir para a definição da preferência sexual, mas esse tema não é o escopo desse artigo.

É fato inegável que as mulheres historicamente sofreram – e ainda sofrem, em menor grau – discriminação apenas pelo fato de serem mulheres. Mesmo em sociedades clássicas consideradas elevadas culturalmente, como a Grécia e a Roma antigas, as mulheres não possuíam direito à cidadania, à participação na vida pública. Portanto, há que louvar as conquistas históricas femininas, como o direito ao voto, a projeção no mercado de trabalho, a inserção na política, etc. Porém, o problema atual é que os grupos que pretensamente querem a libertação das mulheres não se limitam a reivindicar uma igualdade no que se refere apenas aos direitos civis. Querem abolir qualquer diferença entre os sexos, defendendo que essas diferenças não passam de um constructo social, cujo objetivo é aprisionar as mulheres, afirmando a sua inferioridade e fragilidade e reafirmando a superioridade e virilidade masculinas. Mas isso não passa de uma grande falácia. As distinções entre homens e mulheres não são apenas anatômicas e biológicas. A psique feminina é diferente da masculina. A mulher pensa de modo diverso do homem; ela possui características psicológicas e comportamentais inerentemente distintas das masculinas.

As mulheres possuem uma doçura e delicadeza que lhes são peculiares. E isso não significa que sejam inferiores ou frágeis. Elas guardam dentro de si uma seiva, uma vitalidade gigantesca. Mesmo quando estão destroçadas conseguem encontrar forças para amparar aqueles a quem amam.

A tentativa de equiparar a todo custo os dois sexos sob o pretexto de conferir mais liberdade e poder às mulheres, em vez de libertá-las, inexoravelmente as mutila e as despoja de sua identidade e dignidade próprias. Não é à toa que encontramos na sociedade moderna tantas mulheres bem-sucedidas profissionalmente (o que, sem dúvida, é uma conquista), mas solitárias e tristes, combalidas pelo peso de demonstrar a todo tempo seu “empoderamento”, independência e ausência de necessidade de complementação masculina. Evidentemente, isso é uma máscara. É da natureza da mulher buscar proteção no sexo oposto. Ela própria tem o instinto de cuidar, de zelar, de se doar; mas precisa encontrar abrigo e segurança masculinos para se sentir completa – assim como o homem também se complementa através da mulher.

Urge, por conseguinte, que a mulher seja mulher (e que o homem seja homem), que recupere a sua feminilidade diante desse mundo tresloucado em que vivemos. Precisamos redescobrir nossa essência original para que se evidencie nossa verdadeira beleza, sem, porém, deixarmos de lado nossas lutas.

E uma das formas de realçarmos a nossa feminilidade é o modo de nos vestirmos e nos portarmos.

É importante que as mulheres se vistam bem, de modo elegante e modesto? Ou a preocupação com a vestimenta não passa de mera futilidade?

A maneira de nos vestirmos é nosso cartão de visita. Isso, é claro, vale para homens e mulheres. Mas dedicamos esse texto às mulheres, então é sobre elas que vamos falar. O esmero na escolha das peças do vestuário expressa a delicadeza em traduzir a beleza que deve existir dentro de nós. É evidente que a beleza interior é muito mais importante que a exterior. De nada adiantaria a uma mulher ser a criatura mais bela sobre a face da Terra se em seu âmago só houvesse fealdade, trevas e torpeza. Assim, podemos afirmar que cuidar do espírito vale mais que cuidar do corpo e da aparência. Por outro lado, o ser humano é dotado de corpo e alma, e esses dois elementos constitutivos são naturalmente bons porque ambos foram criados por Deus. E é por essa razão que a corporeidade não pode ser desprezada ou negligenciada. Que o nosso corpo, portanto, seja a imagem espectral de nossa alma; que o nosso exterior possa refletir o que há de belo dentro de nós.

Por isso, meninas, optemos por belas roupas e adereços para nos ornarmos. Bom gosto não faz mal a ninguém. É agradável para quem nos vê que estejamos sempre bem arrumadas e alinhadas; e não precisamos gastar fortunas para isso. Basta que tenhamos bom senso na seleção das peças. Requinte não é sinônimo de luxo e opulência.

Porém, é mister salientar que a “beleza” da peça não é o único critério a ser levado em consideração. Devemos zelar para que os nossos trajes guardem o devido decoro, a fim de que se evita a vulgaridade, que pode exercer efeito provocativo nos homens e incitar-lhes desordenadamente o apetite concupiscível. Nem sempre as garotas que se vestem expondo demais o seu corpo, com roupas extremamente curtas, justas ou transparentes, ou ainda com decotes extravagantes, o fazem com o objetivo de provocar; às vezes é só por imaturidade ou leviandade mesmo. Em todo caso, é necessário ter cautela. Precisamos encontrar equilíbrio nas coisas: “virtus in medium est” [a virtude está no meio]”, como diziam os latinos. Não precisamos nos cobrir com uma burca nem tampouco andar seminuas. Qualquer tipo de extremismo é deletério. Deve-se, pois, evitar tanto a neurose de cunho puritano quanto o completo desleixo com o pudor e a modéstia.

A virtude da modéstia relaciona-se com a moderação, com a temperança. E não se restringe à maneira de vestir-se. Modéstia refere-se ao modo de se bem comportar. Uma mulher que se cobre da cabeça aos pés, mas age com descompostura, falando excessivamente alto, rindo estrondosamente em público ou pronunciando palavras obscenas, certamente, não é uma pessoa modesta. Por outro lado, a mulher não precisa se tolher a ponto de evitar qualquer expressividade em público nem controlar cada gesto com pétrea teatralidade. Podemos ser naturais, alegres, simpáticas, extrovertidas sem, contudo, cairmos na fanfarronice.

Friso que esses princípios devem ser observados também pelos homens, antes que me acusem de machismo.

Mas permitam-me dizer que a gestualidade feminina precisa expressar com mais ênfase essa continência que reflete delicadeza, elegância, classe. Não tenham medo, mulheres, de serem damas! Não tenham receio de viverem um projeto de vida mais feminino que masculino! Qual o problema em valorizarmos características que nos são tão peculiares como a afabilidade, o instinto maternal, a capacidade de cuidar e de ouvir? Muitas reclamam que os homens não são mais cavalheiros; mas como poderão sê-lo se tantas mulheres têm ojeriza a serem “ladies”?

O feminismo – melhor seria se o chamássemos “feminazismo” –, sob esse ponto de vista, fez muito mal às mulheres. Às vezes, não dá para saber o que muitas delas querem, porque a confusão provocada pela horda feminista lhes causou uma espécie de curto-circuito cerebral: se, por um lado, acusam os homens de serem sexistas e chauvinistas – e alguns o são, de fato –, por outro, rechaçam qualquer gentileza por parte deles como se isso representasse alguma tentativa de dominação. Nesse contexto, receber flores virou quase uma ofensa.

É assim que o feminismo pretende libertar a mulher? Que liberdade é essa em que se interpreta a opção de ser feminina como sujeição e subserviência?

A sanha feminista se tornou tão estridente que quaisquer opiniões que os homens emitam sobre suas preferências acerca da arrumação de suas namoradas ou mulheres se converteram em afronta. Eu não vejo nenhum problema em que o homem diga à sua companheira: “Amor, como você ficou linda nesse vestido!”, ou “Eu adorei o seu novo corte de cabelo”. Aliás, é bom que os homens façam esses elogios. As mulheres que não temem ser mulheres se sentem valorizadas quando eles agem assim. É oportuno que os homens sejam gentis com suas mulheres, que lhes façam elogios sinceros. Ser “macho” não tem nada a ver com ser truculento, grosseiro ou o garanhão que “pega” todas. Isso, longe de significar virilidade, é babaquice mesmo, uma flagrante distorção do referencial de masculinidade. O homem de verdade não teme tecer um elogio que enalteça a sua amada; e a mulher de verdade não se melindra em receber tais galanteios.

Eu não entendo como algumas mulheres podem se ouriçar tanto perante as opiniões emitidas por seus companheiros em relação ao visual que elas adotam.

Noutro dia, o apresentador Otaviano Costa, do Vídeo Show, perguntou à Taís Araújo qual era o estilo de cabelo adotado por suas personagens que mais agradava ao seu marido Lázaro Ramos. A resposta da atriz foi atravessada: “Eu não sei, porque eu sempre me preocupei com o que EU [grifo meu] gosto“. E o que mais impressionou foi a repercussão de sua resposta nas redes sociais. Fãs fizeram comentários do tipo: “Pisa menos”; “Quando eu crescer, quero ser Taís Araújo”; Linda, empoderada e closeira”; Lacradora“, etc. E para completar, seu esposo também veio a público anunciar: “Não tenho direito a dar essa opinião, Taís bota o cabelo que ela quiser, sempre”. Mas gente… que mundo chato é esse em que estamos vivendo! Qual é o mal em dizer, por exemplo, “Ah, o Lázaro gosta que os meus cabelos estejam cacheados, mas ele me considera linda de qualquer jeito, de modo que eu sempre me sinto à vontade para optar pelo corte e penteado de minha preferência”? E onde estaria o problema se ele tivesse alguma predileção e ela, por liberalidade e delicadeza, cedesse ao desejo do marido? Do mesmo modo, não é nenhum dissenso se o homem gentilmente muda algo na sua aparência para agradar à sua namorada ou esposa, como, por exemplo, deixar a barba crescer (ou apará-la, se esse for o desejo da amada), colocar aquela camisa de que ela gosta, usar determinado perfume… São pequenas concessões que tornam a vida mais leve. Não precisamos problematizar tudo.

Por isso, mulher, não tenha medo de ceder eventualmente, em matérias que não são essenciais, para arrancar um sorriso daquele que você ama! Isso não derroga o seu autodomínio: é que na sua liberdade, você escolhe sem medo doar-se e despojar-se do egoísmo.

Não hesite em abraçar sua feminilidade! Vista-se de modo a ressaltar a sua dignidade de mulher, sem descuidar do recato, mas também sem adotar um moralismo tacanho! Use seu bom gosto e bom senso! Aja de modo que seus gestos reflitam a sua nobreza de caráter, suas virtudes e sua beleza divina! Permita-se ser delicada, terna, amorosa, afetuosa! Enfim, permita-se ser mulher!

Por Chirlei Matos

Rio de Janeiro, 23 de junho de 2017. Festa do Sagrado Coração de Jesus

Anúncios

Um comentário em “Por um Resgate da Feminilidade

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s