A Busca da Beleza

And when people cease to believe there is good and evil/ Only beauty will call to them and save them/So that they still know how to say: this is true and that is false-

Czeslaw Milosz

Todos nós buscamos a beleza e por ela seremos salvos.
Não por sua própria virtude, mas pelo chamado que a beleza enceta em direção àquilo em que culminam todas as graças e bons caminhos que existem: o Amor. E esse amor a que nos guia a beleza é o amor verdadeiro, o sereno e bravo amor que abre mares e move montanhas, o amor que nascemos querendo e para o qual fomos criados. Portanto, nada menos se pede da beleza do que isto: que seja pura, terrível e absolutamente verdadeira. Ela não precisa ser grandiosa, louvada em versos ou mesmo conhecida, basta que seja sincera; porque nenhuma beleza falsa leva ao amor, assim como as árvores doentes não dão bons frutos.

Mas o que é essa verdade da beleza, onde se esconde? Pode-se saber? Os maiores filósofos da História tentaram responder a essa pergunta e nada parece claro. Sou bela porque assim vos parece ou pareço-vos bela porque o sou? Morro antes de ter certeza! A beleza parece fugir da lógica dos homens, esgueirar-se pelas frestas do entendimento e escorrer teimosa para o mar da emoção- permitamos que o faça! Sintamos a beleza, acreditemos no que diz! Acreditemos quando cala.

Seguir o chamado da beleza não é difícil, ainda mais a uma mulher. Temos o dever imperioso de servir à Beleza no mundo e ser belas nós mesmas, porque o belo é uma canção a Deus e um mundo belo é um mundo que leva a Deus.

Não podemos, porém, de modo algum, confundir a beleza rara e santa com a sensualidade vaidosa e a ostentação vulgar. Seria belo um monte coberto de casas enormes e palácios coloridos de toda a sorte? Não seria preferível um morro menos vistoso, cheio de flores e pequenas casas, com aquela vegetação quase selvagem, seguindo a própria natureza, porém cuidada por mãos zelosas? A beleza verdadeira nunca é um grito desesperado por atenção, mas uma alegria interior que transborda, uma flor que se abre discreta e confiante, anunciando os frutos de amanhã. Como dizia São Josemaría Escrivá, no ponto 641 do

Caminho:

 

“Discrição não é mistério nem segredo; é, simplesmente, naturalidade”.

Indagar sobre os pequenos detalhes do bem-vestir e da maquiagem, sobre o melhor corte de cabelo, sabemos que é inevitável. Toda mulher se preocupa com isso- e quanto mais afeta desprezo, mais paranoica e seriamente disso se ocupa, é claro. O que nós não podemos é querer fazer da beleza uma serva nossa, uma criada que pertence apenas a nós e existe sob nossas determinações. A beleza é para todos (embora não seja por todos amada) e não se deixa prender por coisa alguma. Está no sorriso sincero, nas praças iluminadas, no choro dos amantes, nos laços que enfeitam as meninas, no abraço dos irmãos. Mas não pensemos que a beleza é só espontaneidade infantil e não demanda esforço: um homem que foge ao trabalho jamais será belo, sejam quais forem os traços do seu rosto e a jactância dos seus músculos.

Ser bela demanda esforço, como ser boa. Esforço para traduzir em tecidos, cores e perfumes o que se traz de melhor no peito- apenas o melhor! Adornar o corpo para expressar uma revolta contra a sociedade ou atrair o homem casado jamais deixará moça alguma bonita, mesmo que encante alguém por alguns momentos. A beleza é um equilíbrio delicado e duradouro, é bom que se diga: dificilmente alguém deixa de ser bela. Mesmo que a pele enrugue, os cabelos embranqueçam e as pernas percam a força, a beleza perdura se a mulher se esforça por transmitir a alegria do coração e se apresentar dignamente aos outros, como uma maneira de cuidar dos outros, mesmo de quem não se conhece.

Não tenhamos medo de buscar a beleza, sempre e cada vez mais! Não tenhamos medo da vaidade. A vaidade começa onde a beleza termina. É quando deixamos de cantar a música sutil e eterna da alegria, do cuidar de si para cuidar do outro, que começa a crescer a sombra do orgulho e da prepotência. Beleza vaidosa não é verdadeira- e portanto não é beleza nenhuma.

Sejamos belas, minhas amigas, para louvar a majestade e a perfeição de Quem nos criou. Porque se o mundo não lê o Evangelho, o salmo da beleza ele não pode deixar de ouvir.

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