AS UNIVERSIDADES E A MULHER CATÓLICA

“Deve-se aprender apenas para a própria edificação ou para ser útil aos outros; o saber pelo saber é apenas uma vergonhosa curiosidade”
São Bernardo

As contribuições do catolicismo na sociedade estenderam-se a grandes avanços na cultura e no conhecimento científico, principalmente no período medieval. O modo mais efetivo de transmissão do conhecimento, criado pela Igreja Católica, foi a fundação das Universidades. O objetivo da instituição era produzir um efeito social e intelectual na sociedade, através do mesmo compromisso com a verdade que a Igreja detinha.

O mundo moderno e pós-moderno trouxe consigo uma série de descobertas e experiências, no entanto abriu lacunas irreparáveis por seus meros cientificismos e ideologias. Como consequência, as Universidades também foram desnaturalizadas com formas de pensar e agir características de uma época que jaz no relativismo.

As grandes mudanças no seio da sociedade, como o processo acelerado de industrialização, despertaram a necessidade de meros “capitais humanos” para o trabalho. A capacitação intelectual do indivíduo, antes integral e erudita, agora tornara-se prática e sistêmica. Após a Segunda Guerra Mundial, a situação mudou ainda mais: a Universidade não buscava formar bons cidadãos – como queriam os renascentistas –, nem sequer forjar mão-de-obra, mas tão somente ensinar ideologias aceitáveis para um projeto de “engenharia” da sociedade.

Um dos braços do movimento ideológico que se expandia a partir de então, foi o feminismo. A sociedade moderna, já mergulhada em ideais revolucionários de “igualdade”, comprou uma luta que atingiria o núcleo de uma civilização: a família. A liberação feminina, mascarada por objetivos ligados aos direitos civis da mulher, só causava a perversão dos valores mais elementares do sexo feminino e masculino.

As consequências da revolução feminista tiveram muitos vieses, desde a fertilidade feminina até ao papel da mulher no mercado de trabalho. A possibilidade que fora aberta em uma espécie de “competição” com as capacidades profissionais do homem seduziu muitas a comprar a causa. De fato, partindo-se do princípio da Criação Divina do homem e da mulher, ambos possuem a mesma dignidade e potencial intelectual. Porém, isso não anula o fato de que são únicos em sua essência, com dons próprios e insubstituíveis.

“O feminismo trouxe a ideia confusa de que as mulheres são livres quando servem aos seus empregadores, mas são escravas quando ajudam seus maridos”
G. K. Chesterton

A relação deste fato com as Universidades, logo, é bastante óbvia: tornou-se um ambiente propício para a difusão dessa causa, sobretudo porque a mesma defendia o direito de mulheres estarem lá, para tornarem-se profissionais de carreira. A liberdade que uma profissão oferece à mulher e a conquista de espaço no meio acadêmico tornaram-se pautas constantes e praticamente objetivos a serem alcançados de forma urgente.

Atualmente, tendo este cenário se tornado senso comum, qualquer forma de contestação do papel da mulher na Academia é autuada como fascismo, totalitarismo, machismo e uma série de “ismos” que surgem a cada dia. Mas será que a mulher é livre somente desta forma, provando uma igualdade (superioridade?) e direito de si através da intelectualidade acadêmica e empresarial?

O que a modernidade mostra, no entanto, é uma luta conectada somente a um fim: desviar as mulheres do interesse na maternidade e do seu direito de matriarcas de família, caricaturando isto como amarras e infelicidade. Uma análise acerca da quantidade de mulheres profissionais de carreira que não desejam serem mães de família, basta.

E enquanto nós, mulheres católicas, que ansiamos pelo matrimônio e a maternidade, devemos nos ver livres das Universidades?

Em verdade, o ambiente acadêmico nos leva a afirmar que a formação integral de qualquer pessoa sempre será comprometida neste sistema. No entanto, para o cristão, a batalha cultural e o apostolado pode ser exercido até mesmo na Academia contemporânea. Conquistar o espaço como bons profissionais e professores, com valores morais e éticos cristãos, relembram o princípio-mor em que a Universidade fora fundada: a busca pela verdade.

Para garantir a verdadeira liberdade de filhas de Deus, nós, mulheres, devemos sempre enxergar a linha tênue entre nossas famílias e os meios de torná-la ainda mais santa e agradável a Deus. A nossa presença nas Universidades não faz sentido se não for além de uma formação, um título ou um sucesso na carreira; também não deve nos aprisionar em uma busca desenfreada por dinheiro, reconhecimento e competição. Nosso papel como estudantes ou profissionais precisa ser atuante até o ponto em que for possível conciliá-lo com o que verdadeiramente nos fará felizes: gerar vida em uma família.

Sejamos aquilo que já somos, na plenitude que nos foi dada por direito e que é capaz de dar vida; e vida em abundância.

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4 comentários em “AS UNIVERSIDADES E A MULHER CATÓLICA

  1. Lindo texto! É importante que nosso foco realmente não esteja no acúmulo de riquezas e conhecimentos terrenos, mas sim no cultivo de um tesouro cujo valor está além desta terra. Mesmo não sendo católica, acredito muito em ter a família como prioridade, mesmo estudando e trabalhando. Afinal, na universidade e no trabalho podemos ser facilmente substituídas – mas, em nosso lar, não há ninguém para assumir nossa presença. Essa reflexão faz com que a gente perceba onde deve estar nosso maior esforço.

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    1. Mas isso não é verdade também para os homens? Pelo que entendi é uma visão cristã universal, ou seja, um homem católico não deve buscar uma vida acadêmica superficial. E também deve pensar na sua carreira profissional como o meio de dar sustento à família, e nunca negligenciá-la em nome do trabalho.

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