O que é a depressão e como combatê-la?

Por Bianca Mansur.

De acordo com o CID 10 F32, a depressão é um distúrbio comportamental com causas diversas, que pode ser caracterizado principalmente por diminuição do humor, da atividade física e da energia em geral. Os sintomas variam entre perda do apetite, alterações no sono e na disposição para realizar atividades cotidianas, queda da autoestima e do prazer em situações recreativas. Ou seja, o depressivo está continuamente sentindo que a vida se lhe esvai entre os dedos, que um peso enorme o comprime e impede o afluxo desejável de vitalidade alegre ao seu peito, vitalidade essa que ele imagina ser a condição básica e comum da realização das atividades cotidianas de todos a seu redor.

Não se trata de uma tristeza passageira. Trata-se de um quadro cíclico que comporta algumas variações de humor, mas de modo geral deprime a capacidade de júbilo do indivíduo. É como se o organismo (a alma?) estivesse viciado em sentir-se triste, numa angústia que, embora dinâmica, fosse permanente. O depressivo constantemente julga estar melhor, para em seguida recair num sentimento de pânico e desespero.

Mas o que gera a depressão? Será que alguma situação objetiva teria o poder de desencadear crises de tristeza e ódio em qualquer pessoa, qualquer que fosse sua estrutura psicológica? Mas o que é uma estrutura psicológica? Será que uma anomalia genética ou um trauma de infância podem viciar para sempre a produção de serotonina e outros hormônios com função adjacente a esta, engendrando uma tal configuração neuronal que impedisse uma vida afetiva normal, permeada daquela sensação conhecida por “bem-estar”? Aliás, o que é uma vida afetiva normal? E qual é o papel do espírito nesta salada de sinapses e hormônios malsãos que tomam o nosso corpo? Há uma separação real entre a alma e o corpo, tal que se possa explicar a relação entre ambos como uma luta entre carne e espírito? Seria a depressão uma derrota da alma? Todas essas perguntas estão imbricadas na questão da depressão e, a menos que queiramos uma solução fácil e falsa, temos de nos deter diante de cada uma delas e fazer um esforço imaginativo para enxergar um início de resposta, como uma luz distante ao fim do túnel.

Uma postura que tem se tornado bastante comum nos dias atuais é a adoção cega do cientificismo em relação aos quadros de depressão, como uma reação defensiva a um suposto senso comum que denunciaria nos depressivos uma espécie de covardia, de falta na vida espiritual, de “frescura”. Afirma-se ser a depressão uma “doença como qualquer outra”, passível de tratamento por drágeas e comprimidos, além de terapia complementar. E, de fato, não podemos negar que a depressão seja uma doença. Mas não envolveria essa atitude, também, uma tentativa de carimbar a si mesmo com um selo científico e acadêmico, para se esquivar com maior conveniência da responsabilidade evidente que se tem sobre a própria vida afetiva? Afinal, é mais fácil justificar para os outros e até para si mesmo o próprio comportamento quando se tem um nome científico para o que se sente, com um adequado tratamento medicinal, reconhecido pela sociedade acadêmica internacional. É confortável se descobrir apenas um doente que precisa de remédios, quando se julgava ser espiritualmente inválido.

Isso não significa que o tratamento químico e o atendimento psicológico devam ser vistos com desconfiança: eles são uma bênção de Deus, um caminho que pode levar a uma cura definitiva nalguns casos. Mas se quisermos escapar de certezas escorregadias e começar a vislumbrar um começo de resposta para o problema da depressão, precisamos desviar a atenção desse caminho, mesmo se precisarmos, neste exato momento, continuar a seguí-lo concretamente em nossas vidas.

O que poderia, então, levar uma pessoa à depressão, já que não devemos considerar, ao menos por enquanto, o aspecto fisiológico da questão? Atentemos para o que comumente se designa com o nome de “alma”.

Não me refiro, aqui, a um fenômeno teológico ou místico; podemos pensar na alma, por ora, como a luz de nossa consciência, com todas as suas memórias atadas a ela, com um feixe principal de luz dirigido especialmente (embora não exclusivamente) por nossa vontade- e a isto chamaremos “atenção”. A depressão acontece quando a luz de nossa atenção consciente não consegue iluminar suficientemente os objetos de nossa ação voluntária, porque uma força oculta parece desviá-la subsequentemente para os porões mais escuros da subjetividade. O depressivo, portanto, está constantemente fechado dentro de si mesmo, em sofrimento, independentemente do quão inteligente ou virtuoso seja.

[…]”A depressão é uma condição, permanente ou temporária, que Deus quis atrelar à história da sua alma, para que, lutando contra ela e sentindo o mundo através dela, você cumprisse uma missão específica. E nessa luta, saiba você, a vontade figura como a protagonista.”

E o que é esta força oculta que nos faz vítimas das trevas de nossa subjetividade e não nos deixa agir e viver normalmente no mundo? Há quem pense ser uma força externa impulsionada por nosso Inimigo espiritual. Há quem pense ser um ciclo vicioso da alma, ativado por um trauma ou situações dolorosas que vivenciamos. Seja como for, se você é cristã, precisa entender uma coisa: a depressão é uma condição, permanente ou temporária, que Deus quis atrelar à história da sua alma, para que, lutando contra ela e sentindo o mundo através dela, você cumprisse uma missão específica. E nessa luta, saiba você, a vontade figura como a protagonista.
Quer você tome remédios e faça terapia, quer não, a vontade de se tornar quem você quer ser e a aceitação amorosa da própria história de vida são a chave para sair deste quarto escuro. Nessa batalha, as principais armas são, além dos remédios nos casos mais graves, a mudança de hábitos quotidianos e a direção persistente da vontade para nossos objetivos na vida, tanto os de curto prazo quanto os mais elevados.

Você já fez uma lista das coisas que quer realizar nesta semana? E no ano que vem? E em dez anos? Você já caminhou ao sol hoje, mesmo que seja em direção ao trabalho? Já agradeceu a Deus pela luz do sol, por caminhar com saúde, por sua beleza, por seu emprego, por seus amigos? Já agradeceu por ter uma casa e uma mãe? E a maquiagem, já passou? Já tomou um banho frio ou levemente aquecido? Já comeu frutas e castanhas hoje? Já provou chá de alecrim? Tudo isso faz diferença!
Persista, menina! Procure ajuda, converse com quem você confia, encha sua rotina diáriade ocupações agradáveis e estimulantes, coma bem e dirija sua atenção todo o tempo, todos os minutos, aos seus objetivos e às graças com que Deus te presenteou para conseguir alcança-los. Não desista de você.

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2 comentários em “O que é a depressão e como combatê-la?

  1. Agradeço pelo post, conheci o blog recentemente e venho me encantando com tudo que vocês publicam. Luto contra a depressão desde a infância e tive meu primeiro caso sério em 2014, um ano depois me curei, porém sinto que estou tendo recaídas novamente e apesar de saber o quão dolorosa é a luta contra esse mal às vezes não encontro forças para combatê-lo. Esse post me incentivou a querer resistir e a tentar buscar minha cura novamente. Obrigada!

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