A TERNURA INFINITA DO NATAL

Por Bárbara Oliveira

“A Ti, Senhor, elevo minha alma; em Ti espero; não seja eu confundido, nem se riam de mim os meus adversários”.
(Sl 24, 1-3)

O tempo litúrgico do Advento, considerando todo o panorama da vocação cristã, deve imergir nossas almas em uma profunda e terna Esperança. Ao contar os dias para a chegada do Messias, realizando as práticas de penitência e caridade, podemos ver que o tempo é favorável, sobretudo, para estender o Reino de Deus a todos os corações.

Esperar o nascimento de Cristo Jesus, é preparar-se para estar perante um mistério de Fé. Assim, necessitamos das disposições humildes da alma cristã, reconhecendo que nossa obscuridade nunca compreenderá esta verdade plenamente, por isso o Verbo Encarnado é a Luz que nos guiará.
Baseados na misericórdia divina, devemos procurar alcançar no Advento, uma das graças mais atuantes neste tempo: a confiança em Deus. A confiança que tiveram os patriarcas e profetas, ao esperar o Messias sem perspectiva de chegada, mas preparando a cada dia a Sua vinda. Devemos nós, também, confiar nas promessas de Deus, que quer a nossa salvação e nos dispõe daquilo que pedimos pela oração e nas boas obras. Somente elevando a nossa alma a Deus, poderemos confiar nEle plenamente.

“Unindo-me à santa espera de Maria e de José, também eu espero, com impaciência, o Menino. Que contente hei-de ficar em Belém! Pressinto que vou rebentar numa alegria sem limites. Ah! e, com Ele, também eu quero nascer de novo…”.
Sulco, 62

É de suma importância oferecermos a Deus, com amor, as pequenas mortificações invisíveis aos olhos dos homens, mas que temperam a convivência com as outras pessoas e tornam mais eficazes nossas obras. O jejum e a oração, unidos às obras de misericórdia, são meios seguros de alcançar um coração contrito diante de Deus para a vinda de Cristo. A meditação do Rosário, oração do Angelus Domini e todas as devoções pessoais à Santíssima Virgem, realizadas com ainda mais apreço e piedade, também unirá nossos corações à doce espera da Mãe do Salvador.

O silêncio, próprio do Advento, exprime um sinal da espera humilde e terna pelo Salvador, ao mesmo tempo que representa a alegria plena do Seu nascimento. Este silêncio nos convida à contemplação e Adoração ao Verbo que, dizem os Padres da Igreja: “fez-Se pequeno para que a Palavra esteja ao nosso alcance, sinal silencioso e terno que pede amor” e profetizou Isaías: “No silêncio e na esperança residirá a vossa fortaleza”. Em tempos que se enchem os dias de ruídos, atividades e pouco tempo livre, o silêncio deve ser buscado fora e dentro de nós, para escutarmos em cada detalhe o Verbo que se fez carne.

“Quando um profundo silêncio envolvia todas as coisas, e a noite chegava ao meio de seu curso, vossa palavra todo-poderosa desceu dos céus e do trono real”
(Sb 18, 14-15).

No atual retrocesso em que jaz o mundo, a vida padece de significado e esperança. A verdadeira Esperança, ou seja, a confiança na vida eterna, passa a ser um mito a partir do momento em que Cristo não nasce nos corações com a chegada do Natal de Nosso Senhor. Assim, o que se difunde neste tempo é apenas uma vaga aspiração de felicidade entre as pessoas, confundindo não poucas vezes esse desejo de bem — que está presente, de um ou de outro modo, em todo o ser humano — com uma bondosidade superficial, que se apaga perante o primeiro contratempo.

Em verdade, a alegria do Natal está enraizada na Cruz, porque o Messias que nasce em Belém, mediante anunciação jubilosa dos anjos, desceu dos céus para se sacrificar pelos homens. Que este tempo nos direcione não somente à primeira vinda de Cristo, quando Ele veio para “buscar e salvar o que estava perdido” (Lc 19,10); mas também no outro advento, quando Ele vier para levar consigo os que merecem participar de sua bem-aventurança.

A finalidade da Encarnação é a nossa salvação. A Salvação que desceu dos céus por um Deus de infinita Bondade e Amor, que livremente quis padecer pelas nossas misérias e libertar a todos do pecado. É isso que o Menino Deus está fazendo no presépio: desejando a salvação dos homens, a união de corações com Nossa Senhora, a Glória de Deus. Toda a preocupação do Verbo Divino é amar. E como retribuiremos?
Ao nos aproximarmos do Menino Jesus em seu Natal, em profunda e piedosa Adoração.

“Em Belém, esta “grande luz” apareceu a um pequeno grupo de pessoas, um minúsculo “resto de Israel”: a Virgem Maria, o seu esposo José e alguns pastores. Uma luz humilde, como faz parte do estilo do Deus verdadeiro; uma chama pequena acendida na noite: um frágil recém-nascido, que geme no silêncio do mundo…”
Papa Emérito Bento XVI

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